domingo, 15 de novembro de 2020

Crianças Armadas


Espetáculo armado, sangue derramado
descendo pelas escadas,
pelas escadas do colégio abandonado
que tanto nos preocupa no noticiário

As notícias anunciam
o fim da fita
quem só vê não sente
e quem sente, grita

Ninguém ligou para o pequeno garoto
ninguém se importou
com o seu sentimento
apenas com seu rosto torto
esteve vivo por algum momento
mas agora está morto

Seu defeito era do tamanho de uma bala
ele sentava sozinho para comer
agora ele come na sala
agora todos podem ver
ele tem voz, ele fala...
nos recusamos a ouvir

Crianças com armas
carregam por aí suas agonias
munição e balas
combustível para suas fantasias

O monstro sempre tem uma origem
o pequeno garoto indefeso
a pequena garota virgem
o moleque acima do peso
agora são fogo e fuligem

Pequeno clandestino
a bebida é sua mãe
seu pai é o destino

A arma está em sua mão
ele segue seu caminho
o sangue está no chão
e ele permanece sozinho

É uma tragédia calculada
ninguém ousa se mexer
é o fim da jornada
e todos querem ver

E mais um suspiro é deixado
por um jovem calado
que cansou de viver

Ele vive para sempre conosco
dentro dessa verdade
ele sempre terá um rosto
na nossa insanidade.

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