sábado, 14 de novembro de 2020

Militarização Municipal


a prefeitura ordenou
que pichassem o asfalto

o funcionário pichou faixas brancas
para regular a travessia no semáforo

a prefeitura pichou semáforos
para regular o fluxo do tráfego
e o estado pichou UPP's
para regular o fluxo do tráfico

eu olhei as calçadas
e percebi algo:
não havia rampas
só havia mato

então imprimi
um manifesto em forma de desacato

subi na calçada
martelei o concreto
e aparei o mato

o policial veio de moto
viu que eu era alto
e me pediu uma foto

disse logo no ato
que minha identidade
não cabia no documento

ele me mandou entrar numa viatura
para punir meu desacato;
fui levado ao delegado
e de lá à ordem pública

o prefeito riu bem alto
quando me viu preso
por pichar ilegalmente
as pichações do governo.

Os Donos da História


Quem, quem escreve a História?
Pobres e escravos,
ou nobres, com conhecimento e oratória?
Homens revoltosos e bravos,
ou ricos, com fortunas e jóias?

Quem, quem se aproveita da História?
trabalhadores e produtores
ou impetuosos saqueadores?

Os homens que escrevem a História
são aqueles que a constroem?

Quem, quem constrói a História?
Aquele que possui ardil
ou o homem sem memória?
O homem que a conhece e a viu
ou o que porta um fuzil?

Constrói a história o homem que sente?
Aquele que canta e que dança,
que pinta e que mente?
Seria homem honesto, o cidadão
ou o homem perverso e doente?

Quem, quem escreve a História?
Aquele que constrói e a realiza
ou é aquele que toma e que pisa?

Quem, quem toma para si a História?
Seus povos que a mantém (ignorada)
ou aristocratas vencedores
com sua glória santificada?

Quem, quem faz a História?
Quem a viveu para perdê-la ou quem a esqueceu?
Quem sofreu no campo de batalha ou quem sobreviveu?

Quem, quem é dono da História?

Os homens que a fizeram com martelos e pregos,
que montaram estradas e construíram castelos,
homens que deram seu sangue e seus corpos
e ergueram com simples tijolos, monumentos belos.

A história pertence a vivos e mortos,
Nobres ignorantes, infelizes e cegos.