Um corpo caído na varanda
um trago da maldita cana
Oito Presentes na sacada,
um velho copo
cheio de mágoa
um pouco de vinho do Porto
nesse copo meio vazio
a noite agitada me leva a brisa,
me chove os olhos,
me toma o fôlego
dentro da casa,
o cinzeiro em brasa
vinho tinto pelo carpete
e a sacada molhada
de vinho seco
o trigo no pão
o pão na mesa
a mesa na sala
o estrago no corpo
o frágil frasco sem conteúdo
nenhum gole ou faca à vista
Minha varanda cheia de sangue
minha Miranda toda sem jeito
minha surpresa no carro
e a dela,
no chão.
Fumo a rosa acesa
que trago no peito.
Carta por abrir,
a rosa vai ao chão
e o cravo busca
algo para se cravar;
E lá sou eu sujeito
de entregar flores
ou abrir cartas?
Sou lá eu homem
de sorrir ou amar?
Taco a taça pela escada
saco minha velha saída
descerei pela sacada
a expirar o fôlego
que me deu a taça
respiro
minha última
fumaça.
Sufoco o socorro dos berros
na madrugada sem ecos
estufo o peito,
socorro o sufoco
e dou-me aos becos
catam-me do lixo
ensacam os restos
longa noite pela manhã
perdão por não chegar às oito
bebi demais ao parar no posto
e aquele cigarro
ficou por ser fumado.
Duplo suicídio
e nenhum culpado.