Despejei sob a memória
ruidosa e melancólica nostalgia
chorei tanto que perdi a substância;
entre as lamúrias infindas, tornei-me poça
virei água
perdi a forma
morri na praia
duma só vez a duna me engoliu a sina
os sinos dobravam sobre a igreja praieira
e a areia era coberta pela neblina citadina
onde a orla e a onda se tornaram coisa só
todos os medos sórdidos e insólitos
eram sólidos como a sombra solitária:
vagavam pelo vácuo do espaço
onde nada é claro e vida não há
a angústia era tanta que acelerava a célula
cada átomo parecia se partir
e no meio da escuridão assombrosa
vi a ambrosia na árvore saudosa
fui tocado por caloroso abraço
e fiquei leve tão leve que fui levado;
ao ser, como vento, ido ao espaço
o tempo questionou a sombra
que fez da carne um dia substância
eis tu, espião, ausência da essência
diga-me que é este absurdo breu
que molesta o vigia teu
ao lado do espelho, como vazio reflexo?;
o que é isso que sobe e se esvai
como livre pássaro, sem asas ou sonhos?
eis que a sombra, iluminada, disse:
isso é vapor, menos denso que o ar
donde tudo se faz para permanecer
e no todo se concentra para voltar
ao contrário de ti, que corre sem pés
como presente atrás do futuro
que se julgas infinito e absoluto
mas sequer existe, porque louco és
o sereno se esvai do pequeno corpo azul
esperança na gota de orvalho, nova manhã:
é vida!
voa leve, toma gosto, é tempo de pipa
sem hora para voltar à casa
ou lição qualquer por fazer;
a chama acesa lhe esquenta
alimenta o fogo, atenta a lenha;
não é medo, não é a morte:
é o prazer, é o prazer!
bem alto, vapor barato, subi
menos denso que o aparato
mais sólido que a sombra
mais velho do que o tempo
mais jovem do que a vida
preciptei-me ao antejulgar
a angústia pontiaguda
na "ponte" da impotente impaciência;
sou gás, sou fogo, sou leve consciência!
e foi nesse dia
que a essência deu à sombra substância
chorei tanto que perdi a substância;
entre as lamúrias infindas, tornei-me poça
virei água
perdi a forma
morri na praia
duma só vez a duna me engoliu a sina
os sinos dobravam sobre a igreja praieira
e a areia era coberta pela neblina citadina
onde a orla e a onda se tornaram coisa só
todos os medos sórdidos e insólitos
eram sólidos como a sombra solitária:
vagavam pelo vácuo do espaço
onde nada é claro e vida não há
a angústia era tanta que acelerava a célula
cada átomo parecia se partir
e no meio da escuridão assombrosa
vi a ambrosia na árvore saudosa
fui tocado por caloroso abraço
e fiquei leve tão leve que fui levado;
ao ser, como vento, ido ao espaço
o tempo questionou a sombra
que fez da carne um dia substância
eis tu, espião, ausência da essência
diga-me que é este absurdo breu
que molesta o vigia teu
ao lado do espelho, como vazio reflexo?;
o que é isso que sobe e se esvai
como livre pássaro, sem asas ou sonhos?
eis que a sombra, iluminada, disse:
isso é vapor, menos denso que o ar
donde tudo se faz para permanecer
e no todo se concentra para voltar
ao contrário de ti, que corre sem pés
como presente atrás do futuro
que se julgas infinito e absoluto
mas sequer existe, porque louco és
o sereno se esvai do pequeno corpo azul
esperança na gota de orvalho, nova manhã:
é vida!
voa leve, toma gosto, é tempo de pipa
sem hora para voltar à casa
ou lição qualquer por fazer;
a chama acesa lhe esquenta
alimenta o fogo, atenta a lenha;
não é medo, não é a morte:
é o prazer, é o prazer!
bem alto, vapor barato, subi
menos denso que o aparato
mais sólido que a sombra
mais velho do que o tempo
mais jovem do que a vida
preciptei-me ao antejulgar
a angústia pontiaguda
na "ponte" da impotente impaciência;
sou gás, sou fogo, sou leve consciência!
e foi nesse dia
que a essência deu à sombra substância
que no aguardo agonizante
se pôde libertar...
e ver... e ser... e observar;
ao olhar para si, deixou de se olhar:
espelho marítimo
donde o som e o ritmo
compuseram o reflexo
revelando o luar
e a luz que lá
se pôde libertar...
e ver... e ser... e observar;
ao olhar para si, deixou de se olhar:
espelho marítimo
donde o som e o ritmo
compuseram o reflexo
revelando o luar
e a luz que lá
sempre se oculta
debochada é a vida a se esconder na sombra;
ironia, não ria, que um dia é você lá
onde cada um é pétala da mesma flor
e todo mundo é o universo de um só
atemporal, maior que o ar
fui do chão ao céu;
e nesse calmo horizonte haverá tormenta
e um temporal me choverá no mar;
até lá, sou gaivota, sou nuvem passageira
descarregada, devagar, costumeira...
costurei meus medos na teia
queimei tudo na raiz da rosa
fiz da estrela cadente prosa
e no verso que me goza
afinal, voei...
debochada é a vida a se esconder na sombra;
ironia, não ria, que um dia é você lá
onde cada um é pétala da mesma flor
e todo mundo é o universo de um só
atemporal, maior que o ar
fui do chão ao céu;
e nesse calmo horizonte haverá tormenta
e um temporal me choverá no mar;
até lá, sou gaivota, sou nuvem passageira
descarregada, devagar, costumeira...
costurei meus medos na teia
queimei tudo na raiz da rosa
fiz da estrela cadente prosa
e no verso que me goza
afinal, voei...
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