é
pesado demais para voar
e
o bonde de aço
se
arrasta pelo asfalto
levando
consigo
o
enjoo matinal
das
rotinas não lidas no jornal
jornadas
anônimas
páginas
policiais
fatos
nos jornais
que
por vezes viram crônicas:
crônicas
especiais
das
vidas banais
dos
homens comuns
trem
bala não tem
mas
tem bala no trem
artigos
e bugigangas
para
adiantar a vida
sempre
corrida
que
escorre entre as mangas
levados
pelo destino
à
várias direções;
aspirados
pelos vagões
e
pelas chapas de aço
que
comprimem tanta
gente
em
um mesmo espaço
nesses
transportes públicos
temporariamente
alugados
vão
em filas, todos os dias
pela
via Dutra e pela Brasil
gente
de todos os cantos
que
não mais cantam
horários,
estações e ramais:
em
seus trajetos matinais
enfrentam
rotinas cíclicas
filas
e filas de afazeres sacais
gente
que vêm
da
Maré
de
Belém
de
Magé
do
Vintém
gente
também
de
Nova Iguaçu
de
Cabuçu
de
Comendador
da
Ilha do Governador
gente
ainda além
do
Real Engenho
de
Engenho de Dentro
e
do Engenho Novo
seja
qual for o destino
o
navio negreiro leva
em
benefício dos Governadores
a
Maré de trabalhadores
a
todos os seus Engenhos
percorrem
as estações
sem
nunca olhar para trás
sem
poderem ver jamais
a
primavera e os verões
que
passam rápido demais.
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