e sai sem banho
com a bota na boca da bunda
e a bunda na boca da rua
deixa a porta e fecha a casa
pé esquerdo na calçada
o direito já na rua
e direto na subida
encaminha até o ponto
ele pula o muro
escala o morro
pensa no esporro
conta a passagem
verifica o bolso
faltam trocados
já está atrasado
o pior há de vir
mas volta
volta para apanhar o casaco;
subiu e desceu o penhasco
rolando o que tinha consigo
as entranhas embrulhadas
as vias congestionadas
o ar pouco e a pressão alta;
de tanto entulhar gatilhos
pulou as cercas da estação
foi andando pelos trilhos
e por sorte, o trem passou
atravessou sentido central
correu para subir na plataforma
rolou a pedra até o trem
e seguiu acorrentado à hora
chegou ao ponto
bateu a chegada
pegou a caixa
e avistou o chefe
é tarde – disse, mascando algo;
leve sua encomenda ao morro!
então Sísifo voltou ao Vesúvio
rolou a pedra até o vulcão
deixou a bosta no chão
e jogou seu corpo na lava
seu relógio atrasado parou
seu terno sem cor se desfez
e a fragrância de lavanda
pôde sutilmente ser sentida
quando lavada fora fervida
pela convidativa fonte termal.
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