Suplico ao sacerdote Glauco:
onde está tu, digna liberdade?
o sol é geométrico...
que forma tem o céu?
e a pomba, que cor tem?
seria uma ironia ter frágil a íris escura
ou seriam os escuros todos daltônicos?
busco resposta no eco desse beco vazio
túneis verticais sem saída, voz ou vida:
mas não há céu, não há voz, não há cor;
onde está o meu valor?
atravessado por uma parede branca;
nada vejo, sinto dor:
onde está o meu valor?
uma luz
é o pastor
e ela é branca...
mas como esquenta;
a visão desorienta!
dá-me aqui o teu calor!
II
Aqui estou e sinto dor
onde está o meu valor?
- aqui, só, quem sou?
e meu povo, onde está?
em toda parte,
em todo lugar;
toda gente
toda frente
toda franja elementar
toda massa, contingente,
excedente, militar;
meu povo está em toda parte
mas não possui nenhum lugar
ter, essencialmente
é um direito deles sobre nós:
indago-me revolto
- onde está a nossa voz?
esperando outra vez
uma nova abolição
e que outra vez então
surja sobre esta turba
a sarjeta da insurreição.
toda gente
toda frente
toda franja elementar
toda massa, contingente,
excedente, militar;
meu povo está em toda parte
mas não possui nenhum lugar
ter, essencialmente
é um direito deles sobre nós:
indago-me revolto
- onde está a nossa voz?
esperando outra vez
uma nova abolição
e que outra vez então
surja sobre esta turba
a sarjeta da insurreição.
Gabriel Cardozo
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