O movimento negro nas sombras desvelou
às margens ocultas das nuvens obscuras
a alvorada prateada sobre a estampa duma
alvura
emergiu então daquele céu de meio dia
o eclipse lunar que se apossou do vigia;
e através das cortinas da lua
surgiu do espaço letrado como gravura
um homem estrelado de bravura
iluminado todo por infinita escuridão
a luz lhe revestia a pele que reluzia em
um cadeado;
um fantasma que arrastava as correntes
de um grilhão
desceu do céu sem nenhuma cerimônia
e disse àquele vigia então:
não vês que a brancura dos meus ossos
está convosco em vossa pele?
mas tolo o homem nada vira;
afastou-se daquela assombração;
enterrou sua fina silhueta
sob a areia duma ampulheta
e partiu sem culpa pela rua vazia
então apareceram à sua vista punhos em
riste
mas o homem nada se comoveu com a cena
triste
e enfim, do marfim lunar veio o último
canto
um sorriso feliz que causou-lhe espanto
e um pranto tão belo que não pôde
ignorar:
que felicidade daria ao maldito fantasma
o tão brando direito a sorrir e a chorar?
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